Moshe e os Profetas: Lições de Elevação Espiritual
O Midrash na Parashá Haazinu oferece uma perspicaz explanação sobre a distinta relação entre Moshe e os demais profetas de Am Israel.
Moshe era uma figura singular, profundamente inspirada por D’us. Seu grau espiritual era tão elevado que, de acordo com o Midrash, ele estava “Próximo do céu e distante da Terra”. Isso significa que seu nível de elevação espiritual transcendia qualquer limite terreno, alcançando os mais altos níveis de santidade. É por esse motivo que ele é reverenciado com o título de “O Homem de D’us”.
Sua missão estava intrinsecamente ligada à sua proximidade com a santidade divina. Ele tinha a tarefa de trazer o Céu para perto da Terra, tornando o espiritual acessível ao mundo e trazendo os valores divinos e éticos para aqueles que habitavam na Terra. De fato, foi através de Moshe que recebemos a Torá, um tesouro de sabedoria divina que nos guia até os dias de hoje.
Essa história também nos inspira, pois às vezes somos agraciados com momentos de inspiração celestial. Em certos dias, acordamos com sentimentos de alegria e entusiasmo que nos colocam em um estado espiritual elevado, acima das preocupações cotidianas e do estresse. Nesses momentos, nos sentimos mais próximos do céu do que da Terra, e é como se o céu descesse até nós, renovando nossa fé e propósito.
No entanto, outros profetas que surgiram ao longo dos anos possuíam um grau espiritual diferente. O Midrash os descreve como estando “Próximos da Terra e distantes do Céu”. Isso significa que, ao contrário de Moshe, a ênfase deles estava em elevar a Terra ao Céu, em vez de esperar que o Céu descesse até eles. Seu foco estava no trabalho árduo de elevar o mundo a um nível espiritual mais elevado, conectando o material ao espiritual. Esses profetas desempenharam um papel crucial ao aproximar os judeus da Torá e ajudá-los a superar os desafios encontrados na vida.
Em nossas próprias jornadas, às vezes nos deparamos com desafios e momentos em que nos sentimos distantes do Céu. A rotina diária pode nos fazer perder a inspiração, levando-nos a um estado de melancolia e desmotivação. No entanto, isso não nos impede de, com foco e esforço, elevar nosso espírito a um nível superior e nos inspirar. Em vez de esperar que o céu desça até nós, nos esforçamos para elevar nossas vidas e trazer a Terra para o Céu.
Uma história emocionante do ano de 1944 na Alemanha ilustra esse princípio. Lívia Koralek, uma mulher originária de Gyor, Hungria, discursou na noite de Yom Kipur para as mulheres no campo de concentração de Parschnitz. Seu discurso foi um raio de esperança em meio à escuridão. Ela encorajou suas companheiras, lembrando-as de que, embora seja fácil demonstrar humanidade em um ambiente acolhedor, também podem mostrar sua humanidade mesmo em circunstâncias adversas, como as que enfrentavam.
Mesmo quando nos sentimos distantes do Céu, quando tudo parece sombrio e triste, podemos nos esforçar para elevar nossas vidas ao Céu. Isso significa que, mesmo em estados espirituais baixos, estamos dispostos a lutar e elevar nossa existência a alturas espirituais. Assim como os profetas que se dedicaram a elevar a Terra ao Céu, também podemos, em nossas vidas, encontrar maneiras de elevar nossos corações e almas, tornando cada momento significativo e conectado ao divino.
Portanto, este Shabat nos lembra da importância de nos esforçarmos constantemente, independente das circunstâncias, para elevar nossas vidas e encontrar o Céu mesmo quando parece distante.
Shabat shalom.
Mensagem do Rabino Yossi Azulay.

